quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Osteoporose e o uso de bisfosfonatos - Complicações para a Implantodontia


A osteoporose é uma Doença Osteometabólica, caracterizada por diminuição progressiva da massa óssea, com modificações na arquitetura trabecular, levando à diminuição da resistência óssea e a um maior risco de fraturas, em presença de traumas de baixa energia ou menor impacto.

De acordo com a OMS, em relação aos critérios de diagnóstico o paciente pode se enquadrar em diferentes situações:
a.       Normal
b.      Osteopenia
c.       Osteoporose
d.      Osteoporose severa
Duas são as formas clássicas de Osteoporose: a fisiológica ou primária e outra, secundária, geralmente causada por outras doenças.
A osteoporose primária pode estar associada a pós-menopausa, ou seja, à insuficiência estrogênica do climatério, ou condições que induzem precocemente ao hipoestrogenismo (diminuição de estrógenos). Ocorre em aproximadamente 25% das mulheres caucasóides, geralmente nas duas primeiras décadas após o início da menopausa, sendo que as primeiras alterações na velocidade de perda de massa óssea já se demonstram cerca de três a cinco anos antes do término do período menstrual. Durante o período de perimenopausa, a perda de massa óssea pode aumentar em um grupo de mulheres classificadas como perdedoras rápidas, podendo atingir, por ano, até 5% do volume ósseo total do organismo.
Esta velocidade de perda ocorre mais no osso trabecular que no cortical, sendo, portanto, seus efeitos mais evidentes na coluna do que nos ossos periféricos; tal ocorrência se justifica pelo fato do osso trabecular apresentar um número maior de trabéculas ósseas e superfícies de reabsorção, que o cortical. Daí a grande frequência das fraturas vertebrais.
A osteoporose primária também pode ser de causa senil ou de involução, acomete indistintamente homens e mulheres acima dos 70 anos, em ambos os tipos de ossos, trabecular e cortical. Em decorrência deste fato podem ocorrer fraturas, não apenas na coluna vertebral, como também na pelve, ossos longos, costelas, quadril e punho.
A forma secundária está associada a uma grande variedade de condições mórbidas primárias, que acarretam, em sua evolução, distúrbios na absorção intestinal de cálcio, diminuição precoce nos níveis de estrogeno (hipoestrogenismo), perda de massa muscular, diminuição da atividade do sistema enzimático citocromo P450, baixa absorção e metabolização da vitamina D.
São causas de osteoporose secundária as enfermidades do sistema endócrino (tireoidopatias, hipogonadismo, hipopituitarismo, síndrome de Cushing, diabetes, hiperparatireoidismo), o câncer (metástases, mieloma múltiplo), as doenças inflamatórias crônicas intestinais, as cirurgias gástricas e do sistema digestivo, o sedentarismo, a ingestão de alguns medicamentos (heparina, corticosteróides, retinóides, extratos tireoideanos, lítio, cádmio, metotrexate, hidantoinatos e gardenal), as doenças renais crônicas, as doenças difusas do tecido conectivo, a síndrome de má absorção e a baixa ingestão de cálcio.
Em qualquer dessas formas, a osteoporose cursa assintomática por longos períodos. As primeiras manifestações clínicas ocorrem quando já houve perda de 30% a 40% da massa óssea.
A incidência da osteoporose é maior em mulheres (80%) que em homens (20%). As mulheres têm uma menor massa óssea que os homens e o pico de massa óssea ocorre mais precocemente nas mulheres do que nos homens, ou seja, ao redor dos 25 anos de idade nas mulheres e ao redor dos 30 anos de idade nos homens. Para se ter uma ideia, aos 20 anos de idade nas mulheres cerca de 98% da massa esquelética já está formada.
Com o aumento da expectativa de vida, o número de idosos vem aumentando em todas as regiões geográficas e, com isso, também a prevalência da osteoporose. Esta, por sua vez, em função, principalmente das fraturas de fêmur e vértebra, diminui criticamente a qualidade de vida, principalmente na mulher, na terceira idade.
Todos os tipos de osteoporose apresentam o mesmo problema fundamental de diminuição da densidade mineral óssea e a preocupação que essa condição possa comprometer a capacidade de obtenção e manutenção da osseointegração. A premissa de que implantes não devem ser realizados em um paciente com osteoporose é devida razoavelmente ao fato de que a osseointegração depende da formação óssea adjacente à superfície do implante e de que os índices de sucesso são maiores no osso denso e menores no osso trabecular de baixa qualidade. Contudo nenhuma evidência clara sugere que os implantes não serão bem-sucedidos em pacientes com osteoporose, e a questão continua a ser debatida. Pelo lado positivo, embora a evidência seja fraca, casos relatados demonstraram sucessos no tratamento com implante em pacientes com osteoporose. De maneira contrária, evidências também sugerem que implantes colocados em osso enxertado no seio maxilar em pacientes com osteoporose apresentam índices de sucesso significativamente menores.
Entre os medicamentos aprovados para o tratamento da osteoporose estão:
·         Suplementação de cálcio
·         Suplementação de vitamina D
·         Bisfosfonatos
·         Moduladores seletivos do receptor de estrogênio
·         Tamoxifen
·         Raloxifen
·         Calcitonina
·         Terapia hormonal
·         Teriparatida
·         Denosumab
·         Ranelato de estrôncio
Nosso cuidado se volta para os Bisfosfonatos, que são uma classe de droga utilizadas para o tratamento principalmente de osteoporose, osteopenia e metástases ósseas. São análogos aos pirofosfatos inorgânicos. São fortes inibidores da atividade osteoclástica, possuem alta afinidade ao tecido ósseo e são distribuídos aos sítios onde ocorre aumentada formação e reabsorção óssea. Vêm sendo utilizados desde 1960, para o tratamento de metástases ósseas, câncer de pulmão, mieloma múltiplo e doença de Paget. Atualmente, seu emprego terapêutico tem aumentado fazendo com que o número de prescrições deste medicamento aumentasse principalmente para o tratamento e prevenção de osteoporose e osteopenia. Estima-se que no período de maio de 2003 a abril de 2004 foram realizadas aproximadamente 22 milhões de prescrições de alendronato (Fosamax Merck Co, West Point VA) (ADA 2006).  É a droga mais prescrita para o tratamento da osteoporose no mundo.
São exemplos: Etidronato, Clodronato, Tiludronato, Alendronato, Alendronato +D, Risedronato, Zoledronato (Zometa), etc.

Mais relevante é que devemos levar com consideração a osteonecrose por bisfosfonatos. A osteonecrose por bisfosfonato em maxilares foi definida pela Associação Americana de Cirurgia Oral e Maxilofacial (AAOMS) como sendo uma área de exposição óssea na maxila ou mandíbula que não repara em oito semanas em pacientes que estão recebendo ou que receberam bisfosfonato sistemicamente e não receberam radioterapia na maxila ou mandíbula.
Imagem de PASSERI et. al. 2011
Há atualmente o pressuposto de que a osteoporose afeta o sucesso da integração entre os implantes dentários e a maxila e mandíbula, mas esta relação ainda não está totalmente elucidada. Porém, muitos pacientes fazem uso de bisfosfonatos orais por cerca de 3 anos e por conta disso podem ter tido impactos significativos na qualidade do osso bucal e alveolar.
O dentista deve avaliar a extensão do tratamento realizado com o bisfosfonato oral, juntamente com a complexidade do caso, a saúde geral do paciente e os fatores de risco.



Bibliografia:

-Ewald, D. Osteoporosis, Focus Bones pp.104-109 - reprinted from Australian Family Physician, v. 41 (3) 2012
-Otomo-Corgel, J. Osteoporosis and osteopenia: implications for periodontal and implant therapy, Periodontology, v. 59, pp.111-139, 2000.
- Passeri, L. A., Bértolo, M. B., Abuabara, A. Osteonecrose dos maxilares associada ao uso de bisfosfonatos Rev. Bras. Reumatol. v. 51 (4), 2011
- Saldanha, S., Shenoy, V. K., Eachampati, P., Uppal, N. Dental implications of bisphosphonate-related osteonecrosis, Gerontology, pp. 1-11, 2012.